Composição SINAPI: como ler coeficiente, insumo e mão de obra

Atualizado: 3 de out.
O episódio anterior terminou com uma memória de cálculo em que cada número tem conta, prancha e critério. Digamos que dela saíram 100 m² de alvenaria de vedação. A pergunta seguinte parece simples: quanto isso custa? E logo atrás dela vem outra, que o cliente faz e o mestre de obras também: quantos blocos, quantos sacos de cimento, quantos dias de pedreiro?
As duas respostas estão no mesmo lugar, a composição de custo unitário. É ali que o SINAPI diz o que entra em 1 m² de parede, em que quantidade e com quantas horas de trabalho. Quem só copia o custo final da composição usa o SINAPI como tabela de preços. Quem sabe ler as linhas consegue conferir, adaptar e explicar o número, e é isso que este post ensina.
Este é o episódio 4 da série Meu primeiro orçamento de obras, na sequência do episódio 3, sobre levantamento de quantitativos. Vamos abrir uma composição real de alvenaria linha por linha, entender o que o coeficiente significa, levar o exemplo até 100 m² e ver por que blocos do mesmo tamanho podem dar paredes com custos bem diferentes.
Composição SINAPI: a receita do serviço
Uma composição é uma receita: para produzir uma unidade de serviço, ela lista os ingredientes e a quantidade de cada um. Vamos usar como exemplo a 103328, alvenaria de vedação com bloco cerâmico de 9 × 19 × 19 cm (furos na horizontal) e argamassa preparada em betoneira. Os valores são do SINAPI/PR de agosto de 2026, sem desoneração, e o custo final é de R$ 128,22 por metro quadrado.

Repare em uma coisa antes de seguir: das seis linhas, as duas de mão de obra somam R$ 94,22, quase três quartos do custo. O bloco, que é o que o cliente imagina quando pensa em parede, fica com menos de um quinto. Isso já diz muito sobre onde o orçamento de alvenaria ganha ou perde precisão.
Cada pedaço dessa tela responde a uma pergunta diferente:
Código e descrição. O código identifica a composição; a descrição diz exatamente o que está incluído, e cada palavra conta: o tipo de bloco, a dimensão, a posição dos furos, a espessura da parede e a forma de preparo da argamassa. O sufixo AF_08/2026 indica a data da aferição, quando a Caixa mediu ou revisou aquela composição em campo.
Unidade. É a unidade em que você mediu no episódio 3. Aqui, metro quadrado de parede, pela área líquida.
Insumos. São materiais e itens comprados prontos, como o bloco, a tela de aço e o pino de fixação. Na tela, aparecem como INSUMO.
Composições auxiliares. São linhas que, por sua vez, são outras composições, marcadas como COMPOSIÇÃO. A mão de obra (pedreiro e servente, já com encargos) e a argamassa 87292 entram assim. Cada uma pode ser aberta e tem os próprios insumos dentro.
Coeficiente. É a quantidade de cada item para produzir uma unidade do serviço. É o número mais importante da tela, e por isso ganha uma seção só para ele.
Preço unitário e total. O total de cada linha é o coeficiente vezes o preço unitário. A soma das linhas dá o custo da composição.
O que o coeficiente significa
O coeficiente é o consumo de cada item por unidade de serviço. Na 103328, ler a linha do bloco é ler "para fazer 1 m² desta parede, entram 27,06 blocos". Na linha do pedreiro, "1 m² desta parede consome 1,61 hora de pedreiro". O preço muda todo mês e de estado para estado; o coeficiente é o que descreve o serviço, e por isso é ele que precisa ser entendido.
Três detalhes fazem toda a diferença na leitura.
O coeficiente já traz as perdas. Um bloco de 19 × 19 cm com junta de 1 cm ocupa um módulo de 20 × 20 cm, ou seja, 25 blocos por m² de parede. O SINAPI pede 27,06. A diferença, de cerca de 8%, cobre as perdas por entulho e no transporte consideradas na aferição. Quem soma mais 10% "de segurança" por cima está contando perda duas vezes.
O coeficiente de mão de obra é produtividade. 1,61 h/m² significa que um pedreiro produz, em média, cerca de 0,62 m² por hora, ou uns 5 m² num dia de 8 horas. Essa média já inclui o tempo de marcar, prumar, assentar a tela e limpar a junta, não só o tempo com o bloco na mão. É também o número que liga o orçamento ao cronograma, assunto do episódio 9.
O coeficiente tem origem técnica, e muda. Dá para estimar a argamassa com a geometria da parede: em 1 m², os 25 blocos de 19 × 19 cm cobrem 0,9025 m² de face, e o resto, 0,0975 m², é junta. Multiplicando pela espessura de 9 cm, temos 0,0088 m³ de argamassa por m². Até a aferição anterior (AF_12/2021), o SINAPI usava 0,0091, só 3,4% acima disso, porque considerava a argamassa aplicada com bisnaga ou palheta. Na reaferição de agosto de 2026 (AF_08/2026), o coeficiente passou para 0,01395, 59% acima da geometria: o caderno técnico agora considera a aplicação com palheta ou colher de pedreiro, com a perda de argamassa incorporada às juntas.
O que o coeficiente significa
O coeficiente é o consumo de cada item por unidade de serviço. Na 103328, ler a linha do bloco é ler "para fazer 1 m² desta parede, entram 27,06 blocos". Na linha do pedreiro, "1 m² desta parede consome 1,61 hora de pedreiro". O preço muda todo mês e de estado para estado; o coeficiente é o que descreve o serviço, e por isso é ele que precisa ser entendido.
Três detalhes fazem toda a diferença na leitura.
O coeficiente já traz as perdas. Um bloco de 19 × 19 cm com junta de 1 cm ocupa um módulo de 20 × 20 cm, ou seja, 25 blocos por m² de parede. O SINAPI pede 27,06. A diferença, de cerca de 8%, cobre as perdas por entulho e no transporte consideradas na aferição. Quem soma mais 10% "de segurança" por cima está contando perda duas vezes.
O coeficiente de mão de obra é produtividade. 1,61 h/m² significa que um pedreiro produz, em média, cerca de 0,62 m² por hora, ou uns 5 m² num dia de 8 horas. Essa média já inclui o tempo de marcar, prumar, assentar a tela e limpar a junta, não só o tempo com o bloco na mão. É também o número que liga o orçamento ao cronograma, assunto do episódio 9.
O coeficiente tem origem técnica, e muda. Dá para estimar a argamassa com a geometria da parede: em 1 m², os 25 blocos de 19 × 19 cm cobrem 0,9025 m² de face, e o resto, 0,0975 m², é junta. Multiplicando pela espessura de 9 cm, temos 0,0088 m³ de argamassa por m². Até a aferição anterior (AF_12/2021), o SINAPI usava 0,0091, só 3,4% acima disso, porque considerava a argamassa aplicada com bisnaga ou palheta. Na reaferição de agosto de 2026 (AF_08/2026), o coeficiente passou para 0,01395, 59% acima da geometria: o caderno técnico agora considera a aplicação com palheta ou colher de pedreiro, com a perda de argamassa incorporada às juntas.

É o exemplo perfeito de por que não basta copiar o número. O mesmo código, 103328, teve o consumo de argamassa aumentado em 53% de uma aferição para a outra, porque mudou a premissa de execução. Quem guardou o coeficiente antigo numa planilha própria está orçando outra parede. E várias composições de alvenaria que ainda estão na aferição de 2021 trazem no caderno a orientação antiga: para aplicação com colher, multiplicar o coeficiente da argamassa por 1,76 ou 1,61, conforme o bloco.
O cimento que não aparece na composição
Procure "cimento" na tabela da 103328 e você não vai encontrar. Ele está dentro da linha da argamassa, que é outra composição. Para saber quanto cimento vai em 1 m² de parede, é preciso abrir a 87292 e multiplicar os coeficientes em cadeia: o m³ de argamassa por m² de parede, vezes o kg de cimento por m³ de argamassa.

Insumo da argamassa 87292 | Coeficiente por m³ de argamassa | × 0,01395 m³/m² | Consumo por m² de parede |
Cimento CP II-32 | 196,63 kg | 196,63 × 0,01395 | 2,74 kg |
Cal hidratada CH-I | 174,78 kg | 174,78 × 0,01395 | 2,44 kg |
Areia média | 1,165 m³ | 1,165 × 0,01395 | 0,0163 m³ (16,3 L) |
Fonte: composição SINAPI 87292 (AF_07/2026), argamassa traço 1:2:8 em volume, preparo mecânico com betoneira até 600 L, SINAPI/PR 08/2026.
A argamassa também esconde mão de obra: a 87292 tem o operador de betoneira e a própria betoneira como linhas. Por isso o custo do m³ de argamassa (R$ 624,70 no PR) é bem maior que a soma de cimento, cal e areia. Na hora de conferir um orçamento, essa é uma das primeiras perguntas a fazer: o custo que estou vendo é de material ou de serviço?
Exemplo completo: 100 m² de alvenaria
Agora juntamos o quantitativo do episódio 3 com a composição. A conta é a mesma em todas as linhas: quantidade do serviço (100 m²) vezes o coeficiente dá a quantidade do item, e a quantidade do item vezes o preço unitário dá o custo.
Item | Coeficiente por m² | Quantidade em 100 m² | Preço unitário (R$) | Custo em 100 m² (R$) |
Servente (88316) | 0,8052 h | 80,5 h | 32,78 | 2.639,51 |
Pedreiro (88309) | 1,6104 h | 161,0 h | 42,12 | 6.783,17 |
Argamassa 1:2:8 (87292) | 0,01395 m³ | 1,395 m³ | 624,70 | 871,46 |
Pino de aço (37395) | 0,0097 cento | 0,97 cento (97 un) | 46,23 | 44,70 |
Tela de aço (34557) | 0,8057 m | 80,6 m | 2,29 | 184,51 |
Bloco cerâmico 9 × 19 × 19 (7271) | 27,0638 un | 2.707 un | 0,85 | 2.300,42 |
Total | 12.823,77 |
Fonte: composições SINAPI 103328 e 87292, SINAPI/PR 08/2026, sem desoneração. Cálculo elaborado para este post.
E abrindo a argamassa, os 0,91 m³ viram a lista que o mestre de obras precisa para o pedido:
Material da argamassa | Conta | Quantidade em 100 m² |
Cimento CP II-32 | 1,395 × 196,63 kg | 274,30 kg (cerca de 5,5 sacos de 50 kg) |
Cal hidratada CH-I | 1,395 × 174,78 kg | 243,82 kg |
Areia média | 1,395 × 1,165 m³ | 1,63 m³ |
Três leituras saem dessas tabelas. A primeira: a mão de obra pesa R$ 9.422,68, ou 73% do custo. Errar o coeficiente do pedreiro, ou usar uma composição de produtividade diferente da sua obra, mexe muito mais no total do que errar o preço do bloco. A segunda: 161 horas de pedreiro são uns 20 dias de trabalho de uma pessoa, informação que vai direto para o cronograma. A terceira: os 2.707 blocos já têm perda dentro, então essa é a quantidade de compra, não a quantidade a que se soma mais uma margem.
Um detalhe para quem gosta de conferir: 100 × R$ 128,22 dá R$ 12.822,00, e a tabela dá R$ 12.823,77. A diferença de R$ 1,77 vem de a Caixa truncar o total de cada linha em duas casas no relatório por m². Num orçamento real, o certo é multiplicar a quantidade pelo custo unitário da composição, como sai na referência; a conta aberta serve para entender e conferir, não para refazer o SINAPI.
Mesmo tamanho de parede, custos diferentes
Você mediu 100 m² de alvenaria. Quantos blocos vão ser necessários: 2.707 ou 1.354? Os dois números podem estar certos. Depende de qual composição representa a parede que vai ser executada.
Veja três composições do SINAPI para a mesma parede de 11,5 cm de espessura, com argamassa preparada em betoneira e todas reaferidas em agosto de 2026, mudando só o comprimento do bloco:
Composição | Bloco (cm) | Blocos/m² | Blocos em 100 m² | Pedreiro (h/m²) | Servente (h/m²) | Argamassa (m³/m²) | Preço do bloco (R$/un) | Custo (R$/m²) | Custo em 100 m² (R$) |
103330 | 11,5 × 19 × 19 | 27,06 | 2.707 | 1,2239 | 0,6119 | 0,0157 | 0,97 | 110,90 | 11.090 |
103358 | 11,5 × 19 × 29 | 18,04 | 1.805 | 0,9790 | 0,4895 | 0,0132 | 1,33 | 92,76 | 9.276 |
103366 | 11,5 × 19 × 39 | 13,53 | 1.354 | 0,8812 | 0,4406 | 0,0120 | 1,82 | 86,90 | 8.690 |
Fonte: composições SINAPI 103330, 103358 e 103366 (AF_08/2026), SINAPI/PR 08/2026, sem desoneração.

O bloco mais caro faz a parede mais barata. O bloco de 39 cm custa 88% a mais que o de 19 cm, mas o m² de parede sai 22% mais barato. Com um bloco maior, cada metro quadrado precisa de metade das peças, menos junta (a argamassa cai de 0,0157 para 0,0120 m³/m²) e menos horas de assentamento (de 1,22 para 0,88 h de pedreiro), e essas economias superam a diferença no preço da peça. Isso não quer dizer que "bloco maior é sempre mais barato": quer dizer que o preço de um insumo isolado não define o custo do serviço. A escolha do bloco é do projeto (modulação, instalações, desempenho), e a composição precisa seguir o projeto, não o contrário.
O mesmo vale quando muda o material e não o tamanho. Numa comparação que fiz com blocos de 14 × 19 × 39 cm, ainda com o SINAPI de maio de 2026 (antes da reaferição), a parede de bloco cerâmico saía a R$ 88,74/m² e a de bloco de concreto, a R$ 126,55/m², 42,6% a mais. As quantidades de bloco e argamassa quase não mudavam (14,15 contra 13,60 blocos; 9,5 contra 10,2 litros de argamassa), mas o bloco de concreto pedia 1,00 h de pedreiro por m², contra 0,86 h do cerâmico, e o preço da peça também era outro. Os valores mudam a cada reaferição; a lição, não: compare a composição inteira, nunca só o preço do bloco.
Quando a composição não representa a sua obra
Toda composição nasce de uma aferição feita em condições específicas, e o caderno técnico diz quais são. Para a 103328, ele informa que a composição vale para paredes de até 3,00 m de altura, que a argamassa é aplicada com palheta ou colher em dois cordões contínuos, que vergas e contravergas são executadas junto com a elevação e que o encunhamento e o descarte de entulho não estão incluídos. Se a sua obra foge disso, o custo unitário não é mais o dela.
Alguns casos em que vale parar e conferir:
A execução é diferente. Bisnaga, palheta ou colher mudam o consumo de argamassa, e cada composição assume uma delas. Argamassa industrializada no lugar da preparada em obra muda os insumos e a mão de obra de preparo.
A geometria é diferente. Pé-direito acima de 3 m, muitas paredes curtas ou muitos vãos pequenos afetam a produtividade que a composição supõe.
O material é diferente. O bloco especificado no projeto não é exatamente o da descrição (outra dimensão, outro tipo de furo, outra resistência).
Falta um serviço. O encunhamento, o descarte de entulho, a fixação com tela em pontos não previstos ou o transporte vertical em obra de vários pavimentos podem precisar de linha própria na planilha.
O que fazer, em ordem de preferência: primeiro, procurar outra composição do SINAPI que represente melhor o serviço, porque o banco costuma ter variações (preparo manual ou em betoneira, blocos de várias dimensões). Se não houver, adaptar a composição mais próxima, trocando o insumo ou ajustando o coeficiente, e registrar a justificativa junto com a memória de cálculo. Em último caso, montar uma composição própria, com a origem de cada coeficiente documentada. Em obra pública, essa justificativa não é opcional; em obra particular, é ela que permite defender o preço diante do cliente.
Como escolher entre o SINAPI, outras bases e a cotação de mercado, e qual estado e data-base usar, é assunto do episódio 6. A leitura de uma composição, com tudo o que ela esconde, daria um e-book inteiro.
Armadilhas comuns ao ler uma composição SINAPI
Olhar só o custo final. O relatório sintético dá o R$/m² e mais nada. Sem abrir o analítico, você não sabe se a composição usa o bloco do seu projeto, a argamassa que vai ser usada ou a produtividade compatível com a obra.
Somar perda de novo. O coeficiente de blocos e o de argamassa já trazem as perdas. Medir com 10% a mais e ainda aplicar o coeficiente dobra a perda. A quantidade da memória de cálculo é a do projeto; a perda está na composição.
Tratar composição auxiliar como insumo. A linha da argamassa não é "material": é um serviço com cimento, cal, areia, operador e betoneira dentro. O mesmo vale para as linhas de pedreiro e servente, que trazem os encargos complementares. Quem compara esses valores com o preço da loja ou com a diária combinada com o pedreiro compara coisas diferentes.
Escolher pelo preço do insumo. Como mostram os blocos de 11,5 cm, o insumo mais barato pode resultar no serviço mais caro. Compare composições inteiras, e só entre as que representam o que o projeto pede.
Ignorar o caderno técnico. Critério de medição, premissas de execução e o que fica de fora estão lá, não na descrição. É no caderno que aparece que o encunhamento é à parte ou que a aplicação de colher pede outro coeficiente.
Misturar estado, data-base e aferição. O preço muda de estado para estado e todo mês, e o coeficiente muda quando a composição é reaferida. A mesma 103328 custava R$ 120,51/m² no PR em maio de 2026 e passou a R$ 128,22 em agosto, já com a argamassa e o bloco recalculados. Todos os exemplos deste post informam o estado e a data-base logo abaixo da tabela; faça o mesmo no seu orçamento e confira o sufixo AF_ antes de reaproveitar uma composição antiga.
Onde a IA ajuda (e onde não ajuda)
A regra da série continua valendo: não peça coeficiente nem preço para a IA. Ela não tem acesso à base do SINAPI do seu estado e mês, e quando não sabe um número, inventa um com a mesma confiança com que acerta. Um coeficiente inventado com cara de oficial é pior do que nenhum.
Onde ela ajuda é na leitura. Se você colar uma composição analítica copiada do relatório da Caixa ou de uma ferramenta de consulta, ela consegue explicar cada linha, apontar as composições auxiliares e fazer as multiplicações para a sua quantidade, usando só os números que você forneceu. O prompt abaixo pede exatamente isso:
Você é um engenheiro orçamentista explicando uma composição de custo unitário do SINAPI para um profissional iniciante.
Use SOMENTE os números da composição colada abaixo. Não invente coeficientes, preços nem insumos.
1. Explique, em linguagem simples, o que significa cada linha (tipo, código, unidade e coeficiente).
2. Indique quais linhas são composições auxiliares e o que costuma haver dentro delas.
3. Calcule, em uma tabela, a quantidade e o custo de cada linha para [QUANTIDADE E UNIDADE DO SERVIÇO].
4. Mostre a participação de mão de obra, materiais e composições auxiliares no custo total.
5. Liste o que eu devo conferir no caderno técnico antes de usar esta composição (critério de medição, premissas de execução, serviços não incluídos).
Quando não for possível concluir com os dados fornecidos, escreva "conferir na referência".
Composição:
[cole aqui a composição analítica, com estado e data-base]Confira as contas antes de usar o resultado. A IA erra multiplicação com mais frequência do que se imagina, e a responsabilidade pelo número continua sendo de quem assina o orçamento.
Para consultar a composição analítica sem baixar as planilhas da Caixa, o Buscador SINAPI, uma ferramenta de terceiros que acompanho e indico, mostra os insumos e coeficientes por estado e mês. E se quiser montar o orçamento já com as composições abertas, o ObraExata, que também apoio, faz essa leitura dentro do próprio orçamento, de graça e na nuvem.
Antes de passar para o preço do material
A composição não é uma tabela de preços: é a descrição de como um serviço é feito, em números. Quem lê o coeficiente sabe quanto comprar, quanto tempo a equipe vai levar e se aquele custo representa mesmo a obra. Quem só copia o total do m² não sabe nada disso, e não consegue defender o número quando alguém pergunta.
No próximo episódio, o assunto é a pergunta que todo cliente faz: por que o porcelanato que custa R$ 59,90 na loja aparece a R$ 126,81/m² no orçamento? A resposta está nas linhas da composição que vimos aqui: perdas, materiais complementares e mão de obra. Se você tem uma composição que nunca representou bem a sua obra, ou uma dúvida de leitura que este post não resolveu, me conta nos comentários ou no Instagram.
Série Meu primeiro orçamento de obras · Episódio 4 de 10 · Anterior: Episódio 3 — Levantamento de quantitativos: como medir a obra no projeto · Próximo: Episódio 5 — Preço do material não é preço do serviço · Ver a série completa
Referências
BRASIL. Tribunal de Contas da União. Orientações para elaboração de planilhas orçamentárias de obras públicas. Brasília: TCU, 2014.
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. SINAPI: relatórios de custos de composições e cadernos técnicos de composições.
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. SINAPI – Caderno técnico de composições: alvenaria de vedação. Brasília: Caixa.
BUSCADOR SINAPI. Consulta de composições e insumos do SINAPI. Acesso em: out. 2026.
OBRAEXATA. Orçamento de obras online. Acesso em: out. 2026.

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