Meu primeiro orçamento de obras: o guia passo a passo

Atualizado: 3 de out.
Quem vai fazer o primeiro orçamento de obra costuma começar pelo lugar mais óbvio: abre o SINAPI, procura o serviço e copia o preço. Parece produtivo, mas esse é o ponto de chegada, não o de partida. Sem saber exatamente o que vai ser construído e em que quantidade, o preço unitário mais bem escolhido vai multiplicar um quantitativo errado ou deixar de fora o serviço que ninguém lembrou.
Orçamento de obras é uma sequência de etapas, cada uma apoiada na anterior. A série Meu primeiro orçamento de obras percorre essa sequência na ordem do trabalho real, da estimativa antes do projeto até o cronograma físico-financeiro. São dez episódios, e este post é o mapa: mostra o caminho inteiro numa página e indica por onde começar conforme o ponto em que você está. O primeiro passo é a estimativa, tema do episódio Quanto custa construir uma casa?.
Para quem é a série "Meu primeiro orçamento de obras"
A série foi pensada para estudantes de engenharia e arquitetura, profissionais em início de carreira e quem já orça há algum tempo, mas por intuição, e quer um método que se sustente quando alguém pergunta "de onde saiu esse número?". Quem tem experiência também vai encontrar detalhes que costumam passar batido, como o que um metro cúbico de concreto esconde ou por que o preço do porcelanato na loja não é o preço do piso assentado.
Ao final, a ideia é que você consiga montar um orçamento rastreável: partir do projeto, organizar o escopo numa EAP, medir os quantitativos com memória de cálculo, entender as composições, aplicar o BDI e distribuir os valores no tempo. Rastreável quer dizer que outra pessoa consegue refazer cada número a partir dos documentos. É isso que separa um orçamento defensável de uma planilha bonita.
Alguns episódios trazem prompts de IA para as tarefas em que ela ajuda de verdade, como gerar uma EAP preliminar a partir do memorial, listar serviços que costumam ser esquecidos ou revisar a planilha atrás de unidades incoerentes. Preço, coeficiente e quantitativo ficam fora dessa conta. A IA inventa números com muita confiança, e a revisão continua sendo de quem assina o orçamento.
O orçamento de obras passo a passo, em uma imagem
O caminho tem dez etapas, e o número de cada uma é o número do episódio que trata dela. Se você se perder em algum ponto da série, é só voltar para esta imagem.

A ordem não é arbitrária. A estimativa vem primeiro porque ainda não há projeto, e ela serve para saber se a obra cabe no bolso. Depois, sem escopo definido não há o que medir, sem quantitativo não há o que precificar e sem custo direto não há base para o BDI.
O cronograma vem quase no fim porque distribui no tempo valores que só existem com a planilha pronta. A última etapa, a revisão, fecha o ciclo: volta às anteriores atrás dos erros que mais aparecem no primeiro orçamento.
Os episódios da série
Cada episódio é um post completo, que pode ser lido sozinho, mas aponta para o anterior e o próximo. A lista abaixo é atualizada conforme os episódios saem; os que ainda não têm link estão em produção.
Quanto custa construir uma casa? A estimativa antes do projeto. Antes do projeto só existe estimativa: o CUB dá a ordem de grandeza, e o orçamento ganha precisão conforme o projeto avança. Ler o episódio
O orçamento não começa no SINAPI: escopo e EAP primeiro. Banco de preços precifica serviços, mas não define o que será construído. Como transformar projeto e memorial numa EAP sem esquecer drenagem, casa de bombas e impermeabilização. Ler o episódio
Levantamento de quantitativos: como medir a obra no projeto. Quantitativo errado estraga qualquer preço. Unidade certa, memória de cálculo que outra pessoa consegue refazer e o que o volume de concreto esconde. Ler o episódio
Como ler uma composição do SINAPI. A composição é a receita do serviço. Coeficiente, insumo e produtividade explicados com 100 m² de alvenaria, do bloco ao custo total. Ler o episódio
Preço do material não é preço do serviço. O porcelanato de R$ 59,90 na loja vira R$ 126,81/m² no orçamento. De onde sai cada real: perdas, materiais complementares e mão de obra. Ler o episódio
Qual referência usar: SINAPI, data-base e desoneração. O mesmo serviço muda de preço conforme estado, mês e regime de encargos. Como escolher a referência, o que fazer quando o SINAPI não tem o serviço e como registrar a decisão. Ler o episódio
Montando e conferindo a planilha orçamentária. A planilha pode estar certa e o orçamento errado. Estrutura, rastreabilidade e a curva ABC para saber onde vale gastar tempo conferindo. Ler o episódio
Custo não é preço: o BDI na prática. A planilha mostra o custo direto; o preço de venda inclui administração, risco, impostos e lucro. Exemplo numérico do custo ao preço, com a calculadora de BDI do site. Ler o episódio
Do orçamento ao cronograma físico-financeiro. O orçamento diz quanto custa; o cronograma diz quando o dinheiro sai. Distribuição mês a mês, curva S e acompanhamento do previsto contra o realizado. Ler o episódio
Os erros mais comuns do primeiro orçamento (e um assistente de IA). Um checklist que retoma cada etapa pelos erros que mais aparecem, com um assistente de IA para apoiar a revisão final. Ler o episódio
Por onde começar
Se a ideia é aprender o método completo, a leitura na ordem é o melhor caminho: cada episódio usa o que o anterior deixou pronto. Mas nem todo mundo chega no mesmo ponto, então vale começar pelo momento em que você está.
Ainda não tenho projeto e quero saber se a obra cabe no bolso: comece pelo episódio 1, com a estimativa pelo CUB e o peso de cada etapa no custo total.
Tenho o projeto e não sei por onde começar: vá direto ao episódio 2. Antes de qualquer preço vem o escopo, e a partir dele a série segue na ordem.
Já tenho a planilha e quero saber se ela está consistente: o episódio 7 mostra como conferir, e o 8 ajuda se ainda falta passar do custo ao preço de venda.
Em qualquer caso, o episódio 10 funciona como revisão final. Ele lista os erros mais comuns de cada etapa e aponta para o episódio que explica como evitá-los.
Antes de abrir a planilha
Um bom orçamento não nasce de um bom banco de preços, nasce de uma boa sequência. Os preços entram quase no fim, depois de saber o que será construído, em que quantidade e de que jeito.
Os episódios saem aqui no blog ao longo das próximas semanas, e esta página é atualizada a cada publicação. Se tiver uma dúvida do seu primeiro orçamento que gostaria de ver respondida na série, me conta nos comentários ou nas redes: ela pode virar parte de um dos episódios.
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